O assoreamento da boca da barra do rio Gravatá, na divisa dos municípios de Penha e Navegantes, voltou a prejudicar os pescadores artesanais. No último sábado (2), ao menos cinco barcos de pesca ficaram encalhados na foz junto ao molhe de Navegantes, durante a volta da pescaria de camarão, cuja temporada começou no dia 1º de maio, após o defeso.
Os pescadores tiveram dificuldade para sair das embarcações e retirar o pescado, e ainda correram o risco de danos nos barcos. O encalhe foi na “maré seca”, quando o mar recua mais que o normal devido a fatores climáticos e astronômicos. Apesar das condições do tempo, o encalhe reforçou a cobrança pela dragagem no acesso do rio Gravatá, permitindo que as embarcações cheguem com segurança até o porto pesqueiro da Vila de Pescadores do Gravatá. O apelo ganhou as redes sociais após a ocorrência.
O influenciador digital e pescador amador Maicon Marcelo Fossa, o “Ministro da Pesca” no Instagram, denunciou a situação. “Os pescadores saem de madrugada pra buscar o camarão e na volta pra casa são obrigados a ficar aí, tudo encalhado, sem ter como chegar em casa com o camarão”, comentou.
Marcelo falou do projeto da Prefeitura de Navegantes pra alargamento no Gravatá, mas defendeu ações conjuntas das duas cidades para que os pescadores tenham condições de trabalhar. “Tem que ser olhado com carinho pra quem depende do rio Gravatá pra tirar o sustento de suas famílias. Que os governantes de Penha e Navegantes se unam pra ver o que dá pra fazer”, disse.
Um projeto de dragagem na barra do Gravatá vai depender de estudos técnicos e ambientais, considerando que o rio tem um leito rochoso, limitando o aumento da profundidade. O novo molhe do Gravatá, já concluído por Navegantes, foi entregue com promessa de ajudar a conter o assoreamento da barra, mas pescadores relatam que a obra represou mais a areia. O ponto comum é que a solução dependerá do envolvimento dos dois municípios.
Na Vila dos Pescadores do bairro Gravatá em Penha, são cerca de 100 pessoas, membros de famílias que dependem da pesca. Em Navegantes, são mais de 300 famílias ligadas à atividade. Durante a safra do camarão, cerca de 150 embarcações devem sair para o mar, movimentando a economia local e garantindo renda para os trabalhadores.
Penha deve retomar conversas com novo prefeito de Navegantes
Em nota, a Prefeitura de Penha diz que mantém atenção constante às demandas dos pescadores. O município está disposto ao diálogo e à articulação com Navegantes. “Conversas iniciais já foram realizadas e devem ser retomadas com a nova gestão da cidade vizinha”, adiantou, falando do prefeito Ricardo Ventura (PP), de Navegantes, que assumiu o comando da prefeitura no mês passado, após a saída do pré-candidato a deputado de Liba Fronza (PSD).
Penha reforçou que as soluções dependerão de discussão e estudos. “Por se tratar de um curso d’água compartilhado com o município de Navegantes, eventuais intervenções, como a dragagem, dependem de estudos técnicos e da autorização dos órgãos ambientais estaduais competentes”, disse.
Navegantes disse que, com o prolongamento do molhe, foi observado o crescimento da faixa de areia do lado direito. “Este volume de areia, que é bastante expressivo, normalmente iria para o canal do rio. Portanto, é possível concluir que o prolongamento do molhe tem contribuído para melhoria das condições de navegabilidade do canal do rio”, afirma.
Sobre eventual dragagem, o município adiantou que está sendo protocolado projeto juntamente com o governo do estado, que prevê a realização de estudos técnicos voltados a um futuro processo de desassoreamento. Após a conclusão do molhe, o prevê iniciar neste mês a obra de alargamento da faixa de areia da praia do Gravatá. As intervenções foram projetadas pra conter a erosão costeira, proteger a orla e combater o assoreamento do rio.
Via Diarinho.

