Uma menina de 4 anos foi picada por um filhote de cobra-coral verdadeira, uma das espécies mais venenosas do país, dentro de casa em Itajaí. Segundo a mãe, Jéssica Schutell, a menina precisou de 10 dias para recuperação total, entre internação e tratamento em casa.
A criança sobreviveu a três choques anafiláticos – o ponto mais agudo de uma reação alérgica, que pode levar à morte em pouco tempo. A picada aconteceu após o irmão confundir a cobra-coral com uma minhoca.
O caso ocorreu em 25 de abril. Nesta sexta-feira (22), Jéssica disse que a saída às pressas de casa e o atendimento veloz da equipe médica foram cruciais para salvar a vida da pequena Olívia. “Foi tudo muito rápido e acredito que foi isso que ajudou a recuperação dela ser tão rápida também“, comentou.
O choque anafilático é uma reação de hipersensibilidade aguda potencialmente fatal, que inclui sintomas e sinais, isolados ou combinados, que ocorrem em minutos ou em até poucas horas da exposição ao agente causal. Podem ser inchaços, coceiras, falta de ar, sufocamento, vômito e dor.
Como aconteceu?
O caso aconteceu após o filho mais velho ver os gatos brincando com a cobra no terreno da residência.
“Pegou ela pelo rabo e trouxe para dentro de casa, falando que era uma minhoca. Eles ficaram alguns minutos observando a tal minhoca“, comentou.
Depois, ele colocou a cobra em cima das pernas da irmã. A mãe suspeita de que a filha tenha se assustado e apertado o animal, que respondeu com uma picada no calcanhar. “Ela gritou na hora e começou a chorar muito“, disse.
“Na hora, meu marido já viu que era uma cobra-coral. Peguei ela e documentos, ele pegou um pote e capturou a cobra. Saímos às pressas para o primeiro pronto-atendimento que havia“. Lá a criança foi atendida pela primeira vez e, em seguida, foi encaminhada de ambulância até um hospital.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC) confirmou se tratar de uma coral-verdadeira.
Menina sofreu três choques anafiláticos
O primeiro choque anafilático ocorreu ao iniciar a aplicação do antídoto para neutralizar o veneno da coral. Ela ficou “totalmente inchada”, segundo a mãe, e com a respiração comprometida. Também vomitava muito.
Olívia foi transferida para a ala vermelha do hospital, onde permaneceu até finalizar o antídoto.
“Foi tendo reações alérgicas até o final desse soro. Cada reação era diferente. Em todas as três crises foram usadas adrenalina e antialérgicos“, disse.
A criança ficou três dias no hospital. Depois, foi necessário mais uma semana em casa para se recuperar totalmente e voltar à rotina normal.
Veneno potente
O biólogo Christian Raboch Lempek, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), disse que a cobra-coral verdadeira possui o veneno mais potente entre as serpentes do país.
“A peçonha dela age diretamente no sistema nervoso, é neurotóxico. Então sim, a peçonha dela é a mais forte, porém ela não é a mais perigosa, porque ela não dá bote“, disse.
De acordo com ele, acidentes com coral costumam ocorrer apenas se o animal é machucado de alguma forma.
O que fazer em caso de picada de cobra?
Caso seja picado por uma cobra, não se deve amarrar o local. O torniquete pode aumentar o risco de necrosar o local e resultar até em amputação;
não se deve cortar o local, fazer perfurações ou sucção;
o local da picada deve ser lavado com água e sabão;
a vítima deve ser levada o mais rápido possível ao hospital;
é importante tentar identificar a serpente (pode ser por foto, se possível) pois isso facilitará para escolha do soro antiofídico a ser aplicado.
Onde ligar
Entre em contato com os Bombeiros (193) ou com a Polícia Ambiental da sua cidade (190);
em caso de acidente com serpente, entre em contato com o Samu (192), os Bombeiros (193) ou se dirija ao hospital público mais próximo;
dúvidas ou orientações sobre procedimentos de primeiros socorros podem ser esclarecidas com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC), pelo telefone: 0800 643 5252.


