Março é o mês de celebrar as conquistas femininas, mas também de lançar luz sobre realidades invisibilizadas. Enquanto o consumo abusivo de álcool entre mulheres no Brasil cresceu 15,7% em dez anos, segundo dados do Ministério da Saúde, e projeções indicam que o alcoolismo feminino deve se igualar ao masculino até 2030.
Esse fenômeno, intensificado após a pandemia, reflete uma busca silenciosa por alívio diante de quadros crescentes de burnout, depressão e ansiedade, em uma sociedade que ainda impõe sobrecargas desproporcionais às mulheres. E o estigma social ainda impede que milhares de mulheres busquem ajuda.
Apesar dos números, o acesso ao tratamento ainda é barrado pelo tabu, retardando o diagnóstico e o tratamento. E para enfrentar esse cenário, o Instituto Cláritas, fundado em 2025 em Garuva, traz à região Norte de Santa Catarina um conceito inédito de reestruturação feminina: uma clínica dedicada exclusivamente ao tratamento de mulheres, abordando desde a dependência química (especialmente álcool e cocaína) até transtornos como burnout, depressão e ansiedade.
O diferencial do cuidado personalizado
Diferente das estruturas convencionais, o Instituto nasce da observação de seus fundadores sobre a carência de espaços que ofereçam segurança emocional e eficácia técnica para o público feminino. Com capacidade limitada a apenas 20 pacientes (atualmente com 9), o foco é a individualização radical.
“A mulher muitas vezes sofre e bebe sozinha por medo do julgamento, que é muito mais severo do que com os homens. Quando a família aceita o problema, ele já está grave”, explicam os fundadores, Roberto Gonçalves de Freitas e Maria Odila Freitas.
O grande diferencial do Cláritas é a equipe multidisciplinar com psicólogos presentes 24 horas por dia, acompanhando as pacientes em todas as atividades além de psiquiatras e nutricionista. Essa imersão permite diagnósticos precisos de comorbidades comuns, como TDAH e bipolaridade tipo 2, que frequentemente estão na raiz da dependência.
Fases do tratamento
O tratamento é dividido em três etapas:
– Diagnóstico e desintoxicação;
– Estruturação de rotinas e novos comportamentos;
– Ressocialização.
Ao contrário de modelos rígidos, o tempo de permanência é dinâmico, variando de 20 dias para casos de burnout a até 12 meses para dependências complexas. O acompanhamento psicológico contínuo acelera a recuperação, oferecendo o suporte necessário para que a mulher retome o protagonismo de sua vida em um ambiente seguro e acolhedor.

