segunda-feira, 8 de junho de 2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Ciclones extratropicais podem ter empurrado as tainhas para o litoral catarinense

Estado catarinense registra safra acima das expectativas em 2026; elevado número de cardumes desafia pescadores e governo estadual para escoar produção.

Ciclones extratropicais formados na Argentina podem estar por trás da boa safra da tainha em Santa Catarina. Caio Magnotti, doutor em Aquicultura e engenheiro do Laboratório de Piscicultura Marinha da Universidade Federal de Santa Catarina (Lapmar/UFSC), afirma que o fenômeno pode ter favorecido a movimentação do peixe em direção ao litoral do Estado.

Tivemos dois ciclones extratropicais na Argentina, exatamente onde os cardumes se adensam, na região da Lagoa dos Patos e na saída do Rio da Prata. Então, provavelmente, esses ciclones podem ter empurrado de forma mais violenta e rápida esses cardumes que batem aqui em Santa Catarina”, detalhou.

Os ciclones mencionados apresentaram intensidade para impactar na movimentação dos peixes e também coincidiram com local e data de migração. O pesquisador considera essa uma possibilidade, mas ressalta que a movimentação das tainhas é complexa e envolve “condições climáticas, de vento, das correntes e da maturação dos peixes”.

O especialista da UFSC destacou que, para que os cardumes se movimentem, a água deve estar entre 19 °C e 21 °C, temperaturas que estão sendo observadas no litoral catarinense nos últimos dias.

Passamos praticamente maio inteiro nesse intervalo de temperaturas. É a água ideal para esses peixes. Enquanto essa água não esfriar e não houver vento sul predominante por mais tempo, é possível que esses peixes fiquem mais tempo aqui na costa e tenham oportunidade de serem pescados”, disse Magnotti.

A modalidade arrasto de praia, tradicional em Santa Catarina e conhecida pelos grandes lanços, já ultrapassou 50% da cota prevista para 2026, segundo o PesqBrasil – Monitoramento, do Ministério da Pesca e Aquicultura.

O que explica a vinda de tainhas para Santa Catarina?

Mignotti afirmou que uma série de fatores impacta a movimentação das tainhas. Entre eles, as questões climáticas, como correnteza e ventos, por exemplo.

Os mais antigos dizem que, quando temos uns três dias de vento sul, ele traz os cardumes para a costa e, quando entra o vento nordeste, esses peixes encostam na praia. Há uma série de questões, na verdade. As tainhas viajam nas margens das praias, mas a maior parte dos cardumes passa a até 60 metros de profundidade. O peixe que vemos não é tudo que passa”, relatou.

A Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, por sua vez, destacou que os volumes expressivos de captura de tainha no litoral são resultado de “condições ambientais, oceanográficas e climáticas favoráveis que contribuíram para a forte presença de cardumes no Estado em um curto período de tempo”.

Caio Mignotti descartou uma possível influência do El Niño na safra da tainha de 2026. O fenômeno está previsto para o segundo semestre deste ano e a safra da tainha encerra em 31 de julho.

Há um indício da formação do El Niño, com aquecimento do mar na região do Pacífico, mas provavelmente vai influenciar a partir de agosto. Para o ano que vem é possível que afete. Se a previsão se concretizar, é possível que exista alguma modificação nesses padrões de migração. Não podemos descartar 100%, mas não acredito que tenha impacto já nessa safra”, afirmou.

Entenda o El Niño em 10 passos

O especialista também avalia que o fenômeno pode vir a alterar a “estocagem de juvenis”, os pequenos peixes que circulam no mar.

A influência de chuvas, de temperatura e de mudança climática, talvez afete muito mais o crescimento desses juvenis e a sobrevivência deles nas lagoas, como a Lagoa dos Patos e o Rio da Prata”, concluiu.

Santa Catarina registra “supersafra” da tainha

Laurentino Benedito Neves, subsecretário de pesca, maricultura e agricultura de Florianópolis e que comanda o Rancho Saragaço, na Barra da Lagoa, classifica o período de pesca em 2025 como uma “supersafra”.

Está sendo uma supersafra, com a pesca bem adiantada, na verdade. A venda está sendo feita na praia mesmo, para a comunidade e pequenas pescarias. Mas, quando se trata de grande quantidade, precisamos vender para a indústria, que paga um preço bem baixo, dificultando para os pescadores”, relatou Laurentino.

O pescador afirmou que, mesmo com 30 toneladas de tainhas pescadas em seu rancho até o momento, os peixes não foram descartados. Ele declarou que os pescadores “não vão deixar isso acontecer”.

A Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca reconheceu que o cenário tem gerado desafios para a absorção da produção pelo mercado.

Fonte Original | Carneiro News

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