O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para a Presidência da República neste domingo (4), no segundo turno das Eleições 2026. Com 96,83% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato alcançou 51,76% dos votos válidos, sendo matematicamente eleito. O segundo colocado, Flávio Bolsonaro (PL), alcançou 48,24%.
Com 99,83% das urnas apuradas, o resultado era:
Será o quarto mandato de Lula como presidente do Brasil. O petista somará 16 anos na chefia do Executivo. Na história política de todo o Brasil independente (Império e República), ele figurará em terceiro lugar geral:
- 1º lugar: Dom Pedro II – governou por 49 anos (1840 a 1889);
- 2º lugar: Getúlio Vargas – somou 18 anos e cerca de 7 meses (1930 a 1945 e 1951 a 1954);
- 3º lugar: Lula – chegará a 16 anos (2003–2010 e 2023–2030).
Quem é Lula, presidente reeleito do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, nasceu em 27 de outubro de 1945 em Caetés, que era um distrito de Garanhuns, em Pernambuco. Lula possui formação em um curso técnico de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Atuou como metalúrgico e líder sindical em metalúrgicas e montadoras de veículos em São Bernardo do Campo (SP) e na região do ABC Paulista.
O destaque como líder sindical fez Lula liderar a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. Concorreu ao governo de São Paulo na eleição de 1982, e foi eleito deputado federal em 1986, com participação na Assembleia Constituinte.
Lula concorreu pela primeira vez à Presidência da República na eleição de 1989, a primeira após a volta das eleições diretas no Brasil. Derrotado por Fernando Collor (PRN) no 2º turno, o petista ainda disputou as eleições de 1994 e 1998, mas perdeu ambas para Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“Exército de Lula”
Enquanto Flávio Bolsonaro tentou manter a agenda favorável após sair do 1º turno como o mais votado, a campanha de Lula organizou um “exército” digital para tentar concorrer com o bolsonarismo nas redes e também ocupar as ruas com atos de apoiadores. Das 10 eleições presidenciais ocorridas desde a reabertura política, em 1989, esta foi a oitava que tem definição em 2º turno — a quarta com presença do atual candidato petista na disputa.
A surpresa com o resultado do 1º turno forçou mudanças na campanha petista. Após dias de trocas de farpas, com a ex-senadora Kátia Abreu (PT-TO) chegando a afirmar que a estratégia deveria ter “mais Alckmin e menos Janja”, a cúpula convocou o ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) e o governador reeleito Rafael Fonteles (PT-PI) para coordenar a campanha.
Dias depois, recebeu uma boa notícia do Senado: a entrada em pauta da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, tema explorado por Lula na campanha, mas que teve a votação adiada de setembro para outubro.
Outro reforço importante à campanha petista foi o deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). Conhecido por estratégias de enfrentamento à direita nas redes sociais, Janones criou um canal no WhatsApp chamado de “Exército do Lula”.
O espaço tinha 10 milhões de membros até a sexta-feira (23) e reunia “missões” de Janones para os apoiadores de Lula executarem nas ruas e nas redes sociais, ajudando a divulgar a candidatura de Lula. O objetivo era um só: “virar voto”.
A estratégia passava por
eleitores que não foram às urnas no 1º turno ou que optaram por outros candidatos. Até eleitores de nomes da direita, como Renan Santos (Missão), foram cobiçados por apoiadores petistas.
Lula pautou a campanha do segundo turna e fez Flávio buscar respostas
Mas a principal mudança foi no ritmo e no tom da campanha. Nos programas de rádio e TV, a campanha de Lula apostou em uma campanha focada em eventuais riscos de um governo Flávio Bolsonaro, como o de aumento no acesso a armas ou de acabar com programas sociais como o Bolsa Família.
A estratégia também passou por ações possibilitadas pela máquina do governo. Além da promulgação do fim da escala 6×1, que entrará em vigor ainda este ano, Lula também apresentou outra PEC para adotar a tarifa zero aos fins de semana nas cidades brasileiras. Outros anúncios como uma terceira versão do programa Desenrola e um plano de
a Microempreendedores Individuais, os chamados MEIs, com promessa de Pix de R$ 5 mil no próximo ano, também fizeram parte da reta final da campanha petista.
Na última semana, Lula também desafiou o adversário Flávio Bolsonaro a abrir o sigilo bancário, ideia que foi aceita pelo candidato do PL dias depois. A intenção foi dominar a agenda política da reta final. Aliada à estratégia digital capitaneada por Janones e a atos de rua com públicos expressivos em locais como a Avenida Paulista, em São Paulo (SP), e a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), a campanha buscou construir um “clima de virada” até o dia do 2º turno.
Quem é Geraldo Alckmin, vice-presidente reeleito
Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, o Geraldo Alckmin, 73 anos, nasceu em 7 de novembro de 1952 em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Filiado atualmente ao PSB, Alckmin é médico-anestesiologista e professor. Foi governador de São Paulo por quatro mandatos. Em 2006, à época pelo PSDB, concorreu à Presidência da República contra Lula, período em que os dois trocavam críticas sobre a atuação política, mas não se elegeu. Alckmin também concorreu a presidente em 2018, também sem êxito.
Após a derrota e a ascensão do então presidente Jair Bolsonaro, Lula e Alckmin se aproximaram e formaram uma frente ampla, com a filiação de Alckmin ao PSB e o convite para ele ser candidato a vice na chapa de Lula nas eleições de 2022. Para 2026, os partidos optaram por manter a dobradinha que ocupa atualmente o Palácio do Planalto.
Quando Lula toma posse para segundo mandato como presidente
A posse de Lula para o segundo mandato como presidente da República acontecerá em 5 de janeiro de 2027, data em que se inicia formalmente o mandato de quatro anos. A data segue a regra estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111/2021, que alterou as datas de posse dos eleitos para os cargos do Executivo. O período entre a confirmação do resultado das urnas e a posse marca a transição de governo.
Quem ficou em segundo lugar para presidente em 2026
Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar na disputa pela Presidência da República, com 48,24% dos votos válidos e 59.759.548 votos, segundo a apuração do TSE. Atual senador, Flávio disputou a reeleição em 2026 e teve Alberto Gaspar (PL) como candidato a vice-presidente.








