Começar a investir é um passo decisivo para quem busca segurança financeira no longo prazo. No entanto, grande parte dos brasileiros acaba se frustrando logo no início dessa jornada por cometer erros básicos que poderiam ser evitados com planejamento, informação e orientação profissional.
Segundo especialista, um dos problemas mais recorrentes está na ausência de objetivos claros ao investir. Sem definir metas de curto, médio e longo prazo, o investidor perde a motivação, não desenvolve disciplina e passa a tratar os investimentos como algo secundário, sem atribuir a importância necessária para o futuro financeiro.
De acordo com Daniella Schulz Ferreira, consultora de investimentos da B2Advisory, o erro mais básico de quem começa a investir é não ter clareza sobre o próprio orçamento.
“Quanto essa pessoa realmente ganha líquido? Quanto gasta com despesas fixas e variáveis? E qual é, de fato, a capacidade mensal de poupança para investir? Essas respostas precisam estar muito claras. O que vemos com frequência é a superestimação da renda — sempre baseada no valor bruto — e a subestimação dos gastos”, explica.
Segundo a especialista, muitas pessoas deixam de contabilizar despesas anuais recorrentes que impactam diretamente o orçamento, como impostos (IPVA e IPTU), seguro veicular, matrícula escolar, viagens e presentes.
“Apesar de não serem mensais, essas despesas são previsíveis e recorrentes. Quando não entram na conta, o investidor acaba superestimando sua real capacidade de poupança”, completa.
Aposentadoria e dívidas: erros que comprometem o futuro
Outro equívoco frequente é acreditar que a aposentadoria, baseada no salário atual, será suficiente para manter o padrão de vida no futuro. A inflação corrói o poder de compra ao longo do tempo, o que explica por que muitos aposentados precisam buscar fontes extras de renda.
Começar a investir sem antes quitar dívidas também é um erro relevante.
“Se o custo da dívida é maior do que a rentabilidade líquida dos investimentos, faz mais sentido priorizar a quitação. Caso contrário, o investidor corre o risco de trabalhar contra si mesmo”, alerta Daniella.
Além disso, investir em ativos de alto risco sem antes formar uma reserva de emergência pode levar a perdas significativas e ao abandono precoce do processo de investimento.
Investir sem objetivos gera ineficiência
A ausência de objetivos bem definidos prejudica toda a estratégia financeira. Quem não separa corretamente recursos para curto, médio e longo prazo acaba com uma carteira ineficiente, paga mais impostos do que deveria e, muitas vezes, é obrigado a vender ativos de longo prazo em momentos desfavoráveis para cobrir compromissos imediatos.
A ilusão dos ganhos rápidos
A busca por ganhos rápidos não é exclusividade de investidores iniciantes. Estudos mostram que o tempo médio que um investidor mantém uma ação em carteira é de apenas cinco meses.
“As pessoas buscam soluções mágicas e fáceis para tudo. Isso é um comportamento humano e explica, inclusive, o sucesso das apostas. Mas a realidade é dura: só constrói patrimônio quem tem disciplina, consistência e visão de longo prazo”, afirma a especialista.
Perfil de investidor e diversificação
Ignorar o próprio perfil de investidor é outro erro grave. Na teoria, muitos se consideram agressivos, mas na prática se tornam conservadores diante das perdas. A identificação correta da tolerância ao risco ajuda o investidor a manter o plano mesmo em períodos de volatilidade.
A diversificação também é essencial, inclusive para quem investe pouco. Diversificar não significa ter muitos ativos, mas sim diferentes tipos de risco dentro da carteira, reduzindo a chance de grandes perdas e evitando sustos que afastam, especialmente, investidores iniciantes.
Educação financeira faz a diferença
Apesar do aumento do interesse por investimentos no Brasil, ainda existe uma lacuna histórica na educação financeira. A falta de conhecimento impactou gerações e reforça a importância de incluir noções básicas de finanças desde a escola, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e para o fortalecimento da economia.
Estudar sozinho ou buscar orientação profissional?
Embora seja importante que o investidor conheça o básico sobre finanças, existe uma diferença significativa entre estudar sozinho e contar com a orientação técnica de um consultor de investimentos. Um profissional qualificado acompanha o cenário econômico, ajuda a evitar decisões impulsivas e alinha os investimentos aos objetivos e ao perfil do cliente.
Por onde começar?
A especialista é enfática:
“O primeiro passo é organizar a vida financeira e entender quanto você ganha, quanto gasta e quanto consegue poupar. Em seguida, montar uma reserva de emergência em investimentos seguros e com liquidez. Ter ao seu lado um consultor isento e independente ajuda a evitar erros comuns e decisões impulsivas. Começar simples é sempre melhor do que não começar.”
O maior risco é não investir
Para quem tem medo de investir, a recomendação é começar com valores pequenos e buscar orientação independente. Com planejamento e informação, investir deixa de ser algo arriscado e passa a ser um processo estruturado e consciente.
“Comece o quanto antes, porque quem planeja tem futuro; quem não planeja tem destino”, conclui.
Sobre a especialista
Daniella Schulz Ferreira é consultora de investimentos e sócia da B2 Advisory Consultoria Financeira, com atuação em São Paulo e Santa Catarina. Formada em Direito pela UNIP, possui pós-graduação em Direito Público e Econômico, além de capacitação em Mediação e Arbitragem.
Construiu uma carreira sólida no mercado financeiro, jurídico e institucional, com passagens por Banco Bradesco, Itaú Personnalité e pelo Ministério Público Federal, onde atuou como assessora jurídica. Também exerceu a advocacia por mais de oito anos nas áreas civil, empresarial, bancária e imobiliária.
Desde 2024, atua exclusivamente como consultora de investimentos, sendo sócia da B2 Advisory. É certificada CPA-20 e Ancord, professora convidada em cursos jurídicos e criadora de conteúdo sobre investimentos no Instagram (@euinvistoevc). Possui inglês intermediário e vivência internacional.
A Fonte está disponível para entrevistas sobre educação financeira, planejamento e investimentos.
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