segunda-feira, 8 de junho de 2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O inferno astral de Jaime e Clezio em São João do Itaperiú

A Coluna Pirão com Peixe é assinada pelo renomado jornalista e radialista Juvan de Souza Neto. Em foco a política da região, estadual e do país. O “prato” servido pelo colunista contém um bom tempero com uma ótima pitada de bom humor.

Tempo ruim

A semana marcada por um feriadinho na quinta-feira não foi fácil para Clezio Fortunato (MDB) e Jaime de Souza (PL), ex-prefeito e ex-vice-prefeito de São João do Itaperiú. Além do início da fase de instrução do processo penal que respondem na Justiça, após serem presos em 2024 em decorrência da Operação Mensageiro – e que poderá resultar na condenação de ambos e de mais sete envolvidos em denúncias de corrupção –, eles tiveram também um novo revés na Justiça.

■ Goleada

Jaime, em específico, perdeu por 7 a 0 uma ação eleitoral do seu partido, o PL, contra o prefeito Rovâni Delmonego e o vice-prefeito Júnior Schnaider (da coligação liderada pelo PSD). A ação de investigação judicial eleitoral, na verdade, já havia sido julgada improcedente. O PL interpôs recurso, julgado nesta quarta-feira, dia 3, e teve novamente o provimento negado por unanimidade.

■ Depoimentos

No caso dos desdobramentos da Operação Mensageiro, o juiz de Direito Gabriel Marcon Dalponte, da 2ª Vara da Comarca de Barra Velha, por determinação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, iniciou a coleta dos depoimentos e a produção das provas orais das acusações que pesam sobre os líderes do MDB e do PL.

■ 19 na tranca

A ação integra um dos desdobramentos da Operação Mensageiro, investigação que apura supostos crimes relacionados a contratos públicos em municípios catarinenses – aqueles rolos que, de cara, prenderam 19 prefeitos ao longo do Estado (atualmente, já são 30 presos, em várias operações e processos).

 Fantasmas

O núcleo liderado pelo ex-prefeito de São João é acusado da prática de crimes contra a administração pública, acusações que Clezio e Jaime negam. As novas instruções prosseguem nos dias 11 e 23 de junho, e, no dia 23, está previsto o interrogatório dos acusados, etapa que encerra a fase de instrução processual. Estes desdobramentos acabaram por se tornar verdadeiros fantasmas a rondar o governo anterior de São João do Itaperiú, trazendo à tona, sempre, a lembrança da mancha de malfeitos deixada pelos antigos gestores sobre a comunidade local.

■ Antipetista

Ainda falando em São João, também foi desconcertante ver o atual prefeito, Rovâni Delmonego (PSD), curtindo falas agressivas do deputado federal Rafael Pezenti (MDB) na Rádio 105 FM, de Jaraguá do Sul, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pezenti tem notória postura antipetista no Estado, e é direito dele. Mas Rovâni sempre alegou que, na condição de prefeito, estava aberto aos investimentos do Governo Federal no município.

■ Mãos vazias

O prefeito já recebeu, pessoalmente e por três vezes, a visita da deputada federal Ana Paula Lima (PT), e ela nunca veio de mãos vazias. Os recursos que Lula aportou em São João já somam muito mais que as pífias entregas de Jair Bolsonaro (PL) à cidade quando presidente. Pelo contrário: Bolsonaro, quando presidente, mostrou-se favorável à extinção de cidades pequenas como São João. Enquanto isso, Lula construiu o Centro de Eventos Euclides Monteiro, na época viabilizado por outro petista de grande porte, o então deputado federal Carlito Merss.

■ Discurso de ódio

A questão, na verdade, é a seguinte: tanto Pezenti quanto Rovâni podem não gostar de Lula? Claro que sim. É da democracia. Mas a fala de Pezenti na Rádio 105 não foi uma crítica administrativa; foi puro discurso de ódio. Não é nada republicano ver um prefeito que alegou ser “democrático” diante da vice-líder do governo na Câmara (no caso, a deputada Ana Paula) demonstrando sintonia com a intolerância. Intolerância não produz nada, não gera nada, nada constrói.

■ Mais uma grande ideia

Depois de tomar uma sarrafada de um policial militar por conta de críticas à estrutura da Polícia Militar local, o vereador Caio Pinheiro (PL), de Barra Velha, teve outra grande ideia: foi pedir mais PMs e estrutura para uma vice-governadora que nada entregou à cidade e que já está apagando as luzes do seu gabinete, pois não tentará a reeleição. É bem isso: Caio Pinheiro deu mais uma passeadinha em Florianópolis esta semana, levando a tiracolo o também vereador Júnior Piriquito (PRD), para mais um daqueles famosos “encontros para entregar ofício”.

■ Sem entregas

O vereador reuniu-se com a vice-governadora Marilisa Boehm (PL) – aquela que, segundo dirigentes políticos de Joinville, como Norival Silva e Osni Piske, nada entregou de consistente para sua cidade de origem enquanto ocupou o mandato – e cobrou mais estrutura para a segurança pública local. Caio e Piriquito saíram de Florianópolis com promessas de maior efetivo e reforço nas operações policiais na cidade. Vamos aguardar.

■ Proteção à mulher

A delegada e vereadora Patrícia Burin (PSD), de Navegantes, defende que cartilhas de orientação às mulheres relativas à proteção em casos de violência doméstica sejam parte de um kit disponível nas próprias viaturas policiais e também da Guarda Municipal. Os materiais, elaborados pela Procuradoria da Mulher da Câmara de Navegantes, foram repassados à Magali Nunes Inácio, responsável pelo Navetran, órgão de trânsito local, e detalhados durante a formação dos novos agentes da Guarda Municipal, a pedido da vereadora. Uma boa medida.

■ Convenção do MDB

Falando em Navegantes, João Marcos Matos (MDB), filho do ex-deputado federal João Matos e pré-candidato a deputado federal pelo partido, mostrou força ao agregar novamente lideranças históricas da sigla, como os ex-prefeitos Deba Cabral e Ci, além dos vereadores Arthur Emílio e Jonas de Souza. No total, 59 lideranças integram o novo diretório, presidido por Matos, que pavimenta uma boa estrutura partidária para seu projeto eleitoral em 2026.

■ Duas CPIs engatilhadas

Balneário Piçarras segue em ebulição no pós-Operação Regalo. Para quem esperava uma, são agora duas CPIs aprovadas na Câmara: a da própria operação que trancafiou o prefeito Tiago Baltt (MDB) e a da “Rachadinha”, que visa investigar se havia divisão do quinhão público entre cargos de confiança e outros dirigentes ligados ao PL de Ângelo Margute. De nossa parte, um desejo: que ambas tragam à comunidade de Piçarras as respostas que o povo justamente merece.

■ Abatedouro

E o esperado “abatedouro” começou na Prefeitura de Balneário Piçarras. O prefeito interino Fabiano José Alves (União Brasil) precisa não só imprimir sua marca de gestão, mas, sobretudo, distanciar-se de toda e qualquer implicação com os malfeitos ora investigados pelo Ministério Público e pelo Gaeco. E as degolas começaram pelo chefe de gabinete e ex-motorista de Tiago Baltt (MDB), Luiz Eduardo de Macedo, além do secretário de Obras, Arthur Ribeiro, este implicado nas investigações.

■ Exoneração a pedido

Por hora, o discurso oficial é que Macedo pediu “exoneração a pedido”. Mas, no fundo, sabe-se que ele era intimamente ligado a Baltt e, por conta disso, poderia ser um arquivo importante. Fabiano precisa, evidentemente, cercar-se de primeiro e segundo escalões de sua confiança. Por conta disso, Manu Wolff acabou deslocada para a Secretaria de Obras, que seria o epicentro do esquema de corrupção. Mais do que nunca, Fabiano sabe que está agora sob todos os olhares possíveis e precisa de gente sem qualquer implicação mais direta com Tiago para garantir a continuidade administrativa local.

■ Assinou as duas

Jorge Luiz, radialista e vereador (MDB), reagiu a acusações infundadas na internet de que teria “rateado” para assinar a CPI da Operação Regalo em Balneário Piçarras. Pelo contrário: Jorge foi um dos primeiros do MDB a assinar o requerimento original da comissão parlamentar (pedido por MDB e PL) e comprova o que fala. Mas, como houve novo requerimento, ele alega não ter sido informado – de onde surgiu a acusação de que teria se omitido. E foi o único do MDB a assinar o pedido da CPI da Rachadinha, que investiga o PL local e foi apresentada em plenário por PSDB e PSD.

■ Fabinho Henschel

Fabinho Henschel, pré-candidato a deputado estadual de Balneário Piçarras pelo PSOL/Campo Democrático, já definiu parcerias importantes pelo Estado na busca pelo voto. Defensor dos direitos das pessoas com deficiência e vereador mais votado pelo PT nas eleições municipais de 2024, Fabinho optou por migrar para o PSOL e fechou dobradinha com Francisco Assis Nunes, do PT de Joinville, pré-candidato a deputado federal. Fabinho também dará uma base local à vereadora Giovana Mondardo, do PCdoB de Tubarão, pré-candidata a deputada federal pelo sul do Estado.

PRA CIMA & PRA BAIXO

🔼 Sobe | MARISA ZANONI • A pré-candidata a deputada estadual pelo Coletivo Nós Juntas e pelo Partido dos Trabalhadores chama atenção por apresentar uma proposta diferente na região: se for eleita, terá com ela mais quatro “codeputadas”, que vão priorizar um mandato por e para as mulheres. Marisa é de Balneário Camboriú e terá com ela na chapa Sonia Fernandes (Camboriú), Ana Maria Campos Freitas (Navegantes), Cleo Comunello (Itajaí) e Betinha Tamanini (Balneário Piçarras e Penha).

🔽 Desce | ÂNGELO MARGUTE • O todo-poderoso presidente do PL de Balneário Piçarras, pela primeira vez, viu-se surpreso com a jogada da oposição (PSD e PSDB) local que, junto da CPI do Regalo, propôs a CPI da Rachadinha. Margute jura de pé junto que os bagrões do seu PL nunca racharam grana pública de comissionados, mas, no fundo, sabe que esse tipo de CPI tende a causar desgaste em pleno ano eleitoral.

Do editor: O conteúdo assinado (colunas/artigos) reflete o pensamento do autor, não necessariamente a visão do portal que o publica.

Fonte Original | Carneiro News

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