A Assembleia Legislativa de Santa Catarina, por meio do Comitê Integrado de Paz e Segurança nas Escolas (Integra), encerrou no dia 16 de junho, em Governador Celso Ramos, o ciclo de Seminários Macrorregionais de Segurança nas Escolas. O evento marca o fechamento da primeira etapa de seis encontros realizados em parceria com a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SPDC-SC), a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC), a Federação Catarinense de Municípios (FECAM) e as 21 associações de municípios do estado — parceiros sem os quais os seminários não seriam possíveis. Os encontros percorreram também Campos Novos, Araranguá, Rio do Sul, São Miguel do Oeste e São Bento do Sul.
Ao todo, os seminários alcançaram aproximadamente 5.000 unidades escolares de todas as redes de ensino — municipal, estadual e particular — e reuniram cerca de 2.300 participantes ao longo dos seis encontros, entre educadores, gestores, profissionais da segurança pública, prefeitos e secretários de Educação. O ciclo contou com a participação integral de todas as redes de ensino das regiões envolvidas, reforçando o alcance e a adesão da iniciativa em todo o estado.
O comitê é coordenado pela deputada estadual Paulinha (Podemos), que está à frente de absolutamente todas as ações do Integra — da articulação institucional aos seminários, do Curso Virtual ao Podcast Integra, lançados ao longo de 2025, até a recente missão técnica internacional aos Estados Unidos, que levou representantes do comitê a conhecer experiências de segurança escolar e saúde mental em Washington, D.C. O Integra reúne órgãos da educação, segurança pública, saúde, defesa civil, justiça e sociedade civil, consolidando uma rede ampla de prevenção e resposta a situações de risco no ambiente escolar.
Embora o ciclo de seminários tenha sido concluído, o trabalho do Integra continua. A partir de agora, o comitê intensifica a realização de palestras — abordando temas como o Plano de Contingência Multirriscos (PlanCon), segurança escolar e o próprio funcionamento do comitê — além de simulados nas escolas catarinenses.
Um episódio recente reforça a urgência dessa agenda. No último dia 12 de junho, uma criança esfaqueou uma colega dentro de uma escola em Porto Belo. As circunstâncias do caso ainda são apuradas pelas autoridades, mas o episódio reacende o debate sobre a necessidade de ampliar a presença de protocolos de segurança, canais de escuta e ações preventivas dentro das unidades escolares — justamente o tipo de trabalho que o Integra busca consolidar em todo o estado.
Um dado chama atenção e reforça essa urgência: entre 2021 e 2025, as menções com ameaças a escolas no ambiente digital cresceram 360%. Os comentários de exaltação a ataques, que representavam 0,2% do total em 2021, saltaram para 21% em 2025. Ou seja, os ataques consumados caíram — mas a radicalização online cresceu de forma expressiva.
No acumulado nacional, o Brasil registrou 42 ataques entre 2002 e fevereiro de 2025, afetando 43 comunidades escolares, com 182 vítimas — sendo 53 mortes e 129 feridos.
Em Santa Catarina, desde o ataque em Blumenau, em 2023, não houve registro de novos ataques extremos com vítimas fatais, além dos dois episódios já conhecidos — Saudades (2021) e Blumenau (2023). O resultado é atribuído, em grande parte, ao trabalho do Integra e à soma de suas ações protetivas, que incluem investimentos diretos na melhoria da infraestrutura escolar, treinamentos, ações de sensibilização e capacitação, elaboração de planos de contingência e ampliação das forças de monitoramento virtual.
O recado que fica é claro: a prevenção está funcionando no que diz respeito a grandes ataques planejados, mas episódios como o de Porto Belo e o crescimento da radicalização online mostram que o desafio é constante — o que reforça ainda mais a urgência de iniciativas como a Escola de Pais, programa em planejamento pelo Integra para orientar famílias sobre os riscos do ambiente virtual.



